nâo é por acaso Luis

nâo é por acaso Luis: (www.astormentas.com)
Poema ao acaso



Sim, foi por mim que gritei.
Declamei,
Atirei frases em volta.
Cego de angústia e de revolta.

Foi em meu nome que fiz,
A carvão, a sangue, a giz,
Sátiras e epigramas nas paredes
Que não vi serem necessárias e vós vedes.

Foi quando compreendi
Que nada me dariam do infinito que pedi,
-Que ergui mais alto o meu grito
E pedi mais infinito!

Eu, o meu eu rico de baixas e grandezas,
Eis a razão das épi trági-cómicas empresas
Que, sem rumo,
Levantei com sarcasmo, sonho, fumo...

O que buscava
Era, como qualquer, ter o que desejava.
Febres de Mais. ânsias de Altura e Abismo,
Tinham raízes banalíssimas de egoísmo.

Que só por me ser vedado
Sair deste meu ser formal e condenado,
Erigi contra os céus o meu imenso Engano
De tentar o ultra-humano, eu que sou tão humano!

Senhor meu Deus em que não creio!
Nu a teus pés, abro o meu seio
Procurei fugir de mim,
Mas sei que sou meu exclusivo fim.

Sofro, assim, pelo que sou,
Sofro por este chão que aos pés se me pegou,
Sofro por não poder fugir.
Sofro por ter prazer em me acusar e me exibir!

Senhor meu Deus em que não creio, porque és minha criação!
Deus, para mim, sou eu chegado à perfeição...
Senhor dá-me o poder de estar calado,
Quieto, maniatado, iluminado.

Se os gestos e as palavras que sonhei,
Nunca os usei nem usarei,
Se nada do que levo a efeito vale,
Que eu me não mova! que eu não fale!

Ah! também sei que, trabalhando só por mim,
Era por um de nós. E assim,
Neste meu vão assalto a nem sei que felicidade,
Lutava um homem pela humanidade.

Mas o meu sonho megalómano é maior
Do que a própria imensa dor
De compreender como é egoísta
A minha máxima conquista...

Senhor! que nunca mais meus versos ávidos e impuros
Me rasguem! e meus lábios cerrarão como dois muros,
E o meu Silêncio, como incenso, atingir-te-á,
E sobre mim de novo descerá...

Sim, descerá da tua mão compadecida,
Meu Deus em que não creio! e porá fim à minha vida.
E uma terra sem flor e uma pedra sem nome
Saciarão a minha fome.


sexta-feira, 30 de setembro de 2011

se Zarza fosse português, e chamasse María a minha nai...



domingo 25 de septiembre de 2011


Na fonte maternal do teu cariño.

Não te disse adeus porque pensava
Que, em pronunciando adeus, já te perdia;
Não te disse adeus porque queria
Aperfeiçoar em mim quanto te amava.

Não te disse adeus porque sangraba
A falta corporal que pressentia;
Não te disse adeus porque aprendia
Que assim, no coração, mais te guardava.

Não te disse adeus… Sempre retenho
Na segurança em ti -velha, e tão nova!-
Como de uma bênção no meu caminho.

Não te disse adeus porque me atenho
À força que me dás que se renova
Na fonte maternal do teu cariño.


(Rioderradeiro)










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http://rioderradeiro-naeiroa.blogspot.com/2011/09/na-fonte-maternal-do-teu-carino.html

2 comentários:

  1. O tradutor, neste caso, mellora a obra.

    Parabéns. Fico muito obrigado.

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  2. Agora que vivimos nos tempos de “copiar & pegar”, e sendo, como eu son, dos tempos do papel de calco, e a quen sempre tremou o pulso e faltou cabeza para pintar algo a man alzada, neste caso, non fixen outra cousa que calcar e non pintar nada, para non estragar o que, no orixinal, pintado estaba, nem tampouco o que non se pode pintar que é o importante.

    Agora bem, se mo permites, ainda que bem sei que o meu criterio non conta nem pouco nem moito, nem para bem nem para mal, eu querería dicerte que, este teu, me parece um excelente poema. E, por demais, desexarte que continúes co mesmo pulso firme.

    Os parabens para tí, e para os de Brens, Taxes e Bentín.

    Uma aperta.

    P.D. Nâo sei o que pensarão os nossos amigos portugueses da tradução.

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