nâo é por acaso Luis

nâo é por acaso Luis: (www.astormentas.com)
Poema ao acaso



<p>Apontas para o rosto sarcástico do sol de Inverno &nbsp;<br>e disparas. Há tantos meses que não chove – reparaste?<br>É o próprio céu a desistir de ti. E mesmo assim tu disparas, só sabes disparar.<br>Estás enganada, Europa. Envelheceste mal e perdeste a humildade. &nbsp;<br>Não é contra o sarcasmo que disparas, não é contra o Inverno,<br>nem sequer contra o insólito, contra o desespero. &nbsp;<br>Tu disparas contra a luz. &nbsp;<br>Podes atirar-nos tudo à cara, Europa: bombas, palavras, relatórios de contas. Podes até atirar-nos à cara um deputado, uma cimeira.<br>Mas os teus filhos não querem gravatas. Os teus filhos&nbsp;<br>querem paz.<br>Os teus filhos não querem que lhes dês a sopa. Os teus filhos querem trabalhar. &nbsp;<br>Há tantos meses que não chove – reparaste? &nbsp;<br>A terra está seca. Nem abraçados à terra conseguimos dormir. &nbsp;<br>Enquanto te escrevo, tu continuas a fazer contas, Europa. &nbsp;<br>Quem deve. Quem empresta. Quem paga.<br>Mas os teus filhos têm fome, têm sono. Os teus filhos têm medo do escuro. &nbsp;<br>Os teus filhos precisam que lhes cantes uma canção, que os vás&nbsp;<br>adormecer.<br>Eu acreditei em ti e tu roubaste-me o futuro e o dos meus irmãos. &nbsp;<br>Se estamos calados, Europa, é apenas porque, contrários ao&nbsp;<br>teu gesto,<br>nós não queremos disparar.&nbsp;</p>


sexta-feira, 9 de maio de 2014

fáltavos menos, faltaría mais


Xaquin Marín 
LVG 2014 05 08
scanner ed 140509-10:44
e. nº 400
http://arqueoloxiadosancares.blogspot.com.es/2011/01/toponimia-do-concello-de-becerrea_23.html

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